QUE LUZ É ESSA?
Que luz é essa, amigo? Que luz é essa que não perde alento? Essa luz que cheira a abrigo E te protege ao relento. De onde vem a chama que não estremece E de que é feita a cera que não se consome? Essa chama que te aquece E essa cera que te dá nome. Rogo-te que me tragas dessa luz, Que estou cansado de não ver. Não vejo a estrela que te conduz E ando à deriva a morrer. Nesta existência desordenada, Em que apenas tenho frio, Sinto a alma abandonada, E o espírito vazio. Peço que me leves contigo Quando voltares àquela fonte. Já sei que o caminho é antigo E o destino além do horizonte. Mas leva-me que eu quero ir, Mesmo que não chegue lá com vida. O mais importante agora é sair Desta escuridão falida.