PRAÇA ANTIGA
Final de tarde. Praça antiga. Um velho chega cansado e senta-se sozinho num banco de jardim. "Já viste onde chegámos? Lembras-te? Foi ali que te vi pela primeira vez. Estavas sentada naquele banco ao lado da roseira enquanto esperavas pacientemente que a tua mãe acabasse de pôr a conversa em dia com as senhoras depois da missa. Tinhas aquele vestido azul que uns anos mais tarde mandámos reparar para dar à filha da vizinha. A roseira já não existe, morreu há anos. E onde estava o banco onde te vi pela primeira vez e onde mais tarde te pedi em namoro, está agora uma máquina de tabaco. Se conseguisses ver o que fizeram ao jardim… Não ias gostar. Mas também não te ias irritar. Nunca te vi irritada com nada. A maior montanha deste planeta vivia no corpo da flor mais delicada, ambas em comunhão. É por isso que ainda hoje te admiram. Tinhas sempre carinho para toda a gente. E ai de que faltasse alguma coisa a alguém! Mesmo quando estavas a sofrer, consolavas-nos para que não chorássemos...