PRAÇA ANTIGA
Final de tarde.
Praça antiga.
Um velho chega cansado e senta-se sozinho num banco de jardim.
"Já viste onde chegámos?Lembras-te?Foi ali que te vi pela primeira vez.Estavas sentada naquele banco ao lado da roseira enquanto esperavas pacientemente que a tua mãe acabasse de pôr a conversa em dia com as senhoras depois da missa.Tinhas aquele vestido azul que uns anos mais tarde mandámos reparar para dar à filha da vizinha.A roseira já não existe, morreu há anos.E onde estava o banco onde te vi pela primeira vez e onde mais tarde te pedi em namoro, está agora uma máquina de tabaco.Se conseguisses ver o que fizeram ao jardim…Não ias gostar. Mas também não te ias irritar.Nunca te vi irritada com nada.A maior montanha deste planeta vivia no corpo da flor mais delicada, ambas em comunhão.É por isso que ainda hoje te admiram.Tinhas sempre carinho para toda a gente.
E ai de que faltasse alguma coisa a alguém!
Mesmo quando estavas a sofrer, consolavas-nos para que não chorássemos.Perdoa-me.
Sei o que me pediste, mas nunca fui tão forte como tu e tu mereces que te chore.
Nunca quiseste que nos faltasse nada e agora faltas-nos tu.
E que falta esta.
Estarei o tempo que me falta tolhido de dor.
Quiseste que, se isto acontecesse, eu me agarrasse ao que de bom houve.
Mas o bom que houve foste tu.
E agora que já servi o meu propósito de te servir, já não sirvo para mais nada.
Resta-me agradecer-te uma última vez e sentir paz no facto de teres existido, que o mundo teria sido pior sem ti."
O velho inspira,
Fecha os olhos
E expira.
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