QUANDO UM HOMEM MORRE
Quando um homem morre, não morre só um homem.
É que quando um homem morre, um número incontável de diferentes homens morrem com ele.
Morre o irmão, o pai e o filho.
Morre o colega de escola, o companheiro de guerra e o amigo para a vida.
Morrem promessas por cumprir, sossego e abrigo.
Morre o senhor que diz bom dia, obrigado e até depois.
Morre um passou-bem, um pedido de perdão e um abraço.
Morre um silêncio confortável, um jantar e um café.
Morre uma flor, uma canção e um amasso.
Quando um homem morre, morrem muitas guerras, mas também morre muita paz.
Quando um homem morre, não morre só um homem.
E há quem perca mais que a vida, porque a vida não é tudo.
E só quando morre um homem é que se descobre isso.
É que quando um homem morre, um número incontável de diferentes homens morrem com ele.
Mas mesmo quando um homem morre, é raro que desapareça.
Sobrevivem-lhe as ideias, lutas e sonhos.
Sobrevivem-lhe todas as memórias de todas as pessoas com quem se cruzou.
Sendo assim, será que é quando morre um homem, que um homem morre?
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