INQUIETA MENTE
Ali vai um poeta. Leva a mente inquieta E o bolso vazio. Tem mais que eu, no entanto, Que eu, por ter tanto, Sou vela sem pavio. O poeta-pintor, Que morreu de amor, Fez da tinta poesia. O que moldou o granito, Mostrou, sem ter dito, Que há na dor cortesia. Há o bardo sem fala, Que traz o som numa mala, E abre guerra ao silente. E eu, que colecciono ouro, Faço do mundo matadouro E tento calar quem sente, Não percebo que é infinita A fome que me grita Para que seja também poeta, Pinte a mágoa não dita, E esculpa da dor a bonita Canção que me inquieta.