Mensagens

A mostrar mensagens de janeiro, 2021

INQUIETA MENTE

Ali vai um poeta. Leva a mente inquieta E o bolso vazio. Tem mais que eu, no entanto, Que eu, por ter tanto, Sou vela sem pavio. O poeta-pintor, Que morreu de amor, Fez da tinta poesia. O que moldou o granito, Mostrou, sem ter dito, Que há na dor cortesia. Há o bardo sem fala, Que traz o som numa mala, E abre guerra ao silente. E eu, que colecciono ouro, Faço do mundo matadouro E tento calar quem sente, Não percebo que é infinita A fome que me grita Para que seja também poeta, Pinte a mágoa não dita, E esculpa da dor a bonita Canção que me inquieta.

NÃO SEI BEM O QUE SOU

Não sei bem o que sou. Não sou bem o que sei.   Tenho o maior mistério da minha existência, o que menos compreendo, dentro de mim.   As regras não me servem. Não me servem, assim como não as sirvo. Existo independente delas. Conheço-as e reconheço-as mas não existo em sua função. Não as renego, mas também não me entrego ao seu domínio. Isto dá-me liberdade para ser, sem bem me conhecer.  Não digo que não me conhecendo, não sei quem sou. É a fuga a esta convenção que mais me identifica. Sei quem sou porque não me conheço. Sei que sou o que penso, que muda a cada interação que tenho, seja comigo mesmo ou não. Só assim existo em comunhão com a passagem do tempo. Caso contrário estaria a lutar contra a constante erosão que ele nos causa. Luta impossível de vencer. Podemos lutar contra a percepção de um conceito, mas nunca contra o conceito em si. Um conceito é algo transcendente e imutável. A nossa percepção é passível de mudança. Contradigo-me então ao dizer que as regras nã...