ASSENTAR OS PÉS NO CHÃO
"Desculpe, sabe-me dizer a que horas passa aqui a consciência?"
"Não sei não, que aqui não me preocupo com iminência."
"Não percebo mas tenho pressa, com certeza terá ideia se passará evolução."
"Nem ideia, nem tão pouco noção,
Peço-lhe por isso o meu perdão, mas escolho viver em tal simplicidade
Que não me ocupo nem com metade do que me ocuparia se, na verdade,
Tivesse tal pretensão que vossa excelência parece ter do alto da sua posição."
"Mas que posição? Só queria planear os eventos que se passarão!"
"A posição de não ter a mínima noção de que nos eventos que se passarão não tem o que dizer.
Não se preocupe então e sente-se aqui que eu peço-lhe uma para beber."
"Não consigo, não posso parar! Tenho demasiado para fazer, demasiado em que pensar!"
"Homem, tenha lá calma e puxe uma cadeira para se sentar,
Que você faça o que fizer daqui nunca vai arredar
E é por isso que mais vale nem se preocupar
Que o que tem para fazer, e mesmo para pensar, é precisamente por aqui que vai passar.
Não lhe sei dizer a que hora e muito menos se vem depressa ou devagar,
Mas garanto-lhe que não vai mais cedo lá chegar só porque tem pressa em se apressar.
Sente-se e perceberá que nunca vai controlar nada do que se passa além deste lugar.
Relaxe, concentre-se, e vai ver a paz que sente por se deixar estar no Presente."
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