Ali vai um poeta. Leva a mente inquieta E o bolso vazio. Tem mais que eu, no entanto, Que eu, por ter tanto, Sou vela sem pavio. O poeta-pintor, Que morreu de amor, Fez da tinta poesia. O que moldou o granito, Mostrou, sem ter dito, Que há na dor cortesia. Há o bardo sem fala, Que traz o som numa mala, E abre guerra ao silente. E eu, que colecciono ouro, Faço do mundo matadouro E tento calar quem sente, Não percebo que é infinita A fome que me grita Para que seja também poeta, Pinte a mágoa não dita, E esculpa da dor a bonita Canção que me inquieta.
Se existem poetas felizes, estão mortos. Ou ainda, se existem poetas, estão mortos. Um poeta é-o nas circunstâncias certas para o ser e nenhum o é, ou foi, toda a vida. Um poeta só é poeta enquanto se sente inspirado a escrever poesia. Ou um músico pode chegar a tocar poesia quando entra num tal modo que deixa de ser instrumentista e passa a ser parte do instrumento. É possível reconhecer esses momentos num músico, mas não num poeta. Para isso era preciso estar dentro da cabeça do poeta e sentir com o seu coração. Ser poeta não é sobre o poema, mas sobre o caminho para lá chegar. Por isso um poema pode até ser feliz, ou alegre, mas o poeta não.
Jesus, Sou teu. Mas não totalmente, porque não o sei ser e só Tu sabes o quanto isso me pesa. Quero entregar-me mais a Ti e viver mais por, e para, Ti. Só Tu me conheces verdadeiramente, Senhor. Só Tu estavas presente quando eu me sentia tão sozinho. Só Tu conheces as dores e as tormentas que me visitaram tantas vezes. Só Tu sabes que em alguns dias eu pensava que não ia conseguir continuar. E não sabia como continuar. Mas agora sei que tinhas a mão no meu ombro e que foi só por isso que enxuguei as lágrimas. Que nunca estiveste fora do alcance das minhas súplicas, apesar de eu as achar vãs. Hoje sei que ouviste todos os meus silêncios dolorosos tão alto como qualquer grito que eu tenha soltado em desespero. Quão amorosamente cuidaste do meu coração, Jesus? Alguma vez serei capaz de compreender o que tens feito por mim? Alguma vez saberei de todas as formas como me protegeste de males piores que os que conheci? Alguma vez compreenderei verdadeiramente a Cruz? Perdoa-me, Senhor, pois nã...
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