Ali vai um poeta. Leva a mente inquieta E o bolso vazio. Tem mais que eu, no entanto, Que eu, por ter tanto, Sou vela sem pavio. O poeta-pintor, Que morreu de amor, Fez da tinta poesia. O que moldou o granito, Mostrou, sem ter dito, Que há na dor cortesia. Há o bardo sem fala, Que traz o som numa mala, E abre guerra ao silente. E eu, que colecciono ouro, Faço do mundo matadouro E tento calar quem sente, Não percebo que é infinita A fome que me grita Para que seja também poeta, Pinte a mágoa não dita, E esculpa da dor a bonita Canção que me inquieta.
Quando um homem morre, não morre só um homem. É que quando um homem morre, um número incontável de diferentes homens morrem com ele. Morre o irmão, o pai e o filho. Morre o colega de escola, o companheiro de guerra e o amigo para a vida. Morrem promessas por cumprir, sossego e abrigo. Morre o senhor que diz bom dia, obrigado e até depois. Morre um passou-bem, um pedido de perdão e um abraço. Morre um silêncio confortável, um jantar e um café. Morre uma flor, uma canção e um amasso. Quando um homem morre, morrem muitas guerras, mas também morre muita paz. Quando um homem morre, não morre só um homem. E há quem perca mais que a vida, porque a vida não é tudo. E só quando morre um homem é que se descobre isso. É que quando um homem morre, um número incontável de diferentes homens morrem com ele. Mas mesmo quando um homem morre, é raro que desapareça. Sobrevivem-lhe as ideias, lutas e sonhos. Sobrevivem-lhe todas as memórias de todas as pessoas com quem se cruzou. Sendo assim, s...
Jesus, Sou teu. Mas não totalmente, porque não o sei ser e só Tu sabes o quanto isso me pesa. Quero entregar-me mais a Ti e viver mais por, e para, Ti. Só Tu me conheces verdadeiramente, Senhor. Só Tu estavas presente quando eu me sentia tão sozinho. Só Tu conheces as dores e as tormentas que me visitaram tantas vezes. Só Tu sabes que em alguns dias eu pensava que não ia conseguir continuar. E não sabia como continuar. Mas agora sei que tinhas a mão no meu ombro e que foi só por isso que enxuguei as lágrimas. Que nunca estiveste fora do alcance das minhas súplicas, apesar de eu as achar vãs. Hoje sei que ouviste todos os meus silêncios dolorosos tão alto como qualquer grito que eu tenha soltado em desespero. Quão amorosamente cuidaste do meu coração, Jesus? Alguma vez serei capaz de compreender o que tens feito por mim? Alguma vez saberei de todas as formas como me protegeste de males piores que os que conheci? Alguma vez compreenderei verdadeiramente a Cruz? Perdoa-me, Senhor, pois nã...
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