D. TEMPO, O SEM CORAÇÃO
O homem não se expressa.
O homem é a expressão
Do que, peça a peça,
Traz ao homem emoção.
Mas não expressa o amor?
Nada mais que o sabor
Da dor com que laiva
De raiva o amor
Que cura a raiva
Que traz o ardor
Com que ama e odeia,
Nem sempre só por si,
Mas sempre pela odisseia.
Por mais que eu sinta,
E não é que minta,
Mas o homem não se expressa.
Serve, no final, de canal
Ao que sem bem nem mal,
Lhe faz cada peça.
Desengane-se então
Quem acha ser mais
Que o que faz sem perdão.
E não,
Não sou mais que a expressão
Que, sem querer, soltarão
Os homens e mulheres que morrerão
Na ponta da faca sem mão
Que é o D. Tempo,
O sem coração.
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