NADA
Se deixasse de ver, ouvir e sentir,
Tudo de uma só vez,
Mas continuasse a pensar,
Quanto tempo duraria?
Se já não conseguisse falar,
Nem escrever, nem chorar,
Nem sorrir, nem cantar,
Por que razão existiria?
Se o chão desaparecesse,
E com ele o céu e o mar,
Mas conseguisse voar,
Para onde é que iria?
O que é que levaria?
Se não tivesse mais nada a que me agarrar,
Nem o vento me quisesse mais tocar
E nem anjos nem demónios me viessem buscar?
Para que é que serviria?
No caos do desconhecido,
Sem ter nascido,
Sem ter morrido,
Sem ser largado ou recolhido,
Sem ser reconhecido,
Sem ter sido perdido,
O que é que seria se não fosse nada?
Seria tudo.
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