O RIO
Vejo um rio escarlate.
Sem nascente, sem foz.
Sei que é um rio escarlate
Porque lhe ouço a voz.
Vejo um barco verde.
Sem remo, sem motor.
Sei que é um barco verde.
Porque lhe sinto o odor.
Vejo o velho que lá mora,
Sem sentidos, sem razão.
Sei que o velho ainda lá mora
Porque lhe sinto o coração.
Não vejo a minha mão.
Não sinto o meu saber.
Visse eu tudo o que sou,
Mais valia perecer.
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