IDEIA
Navego um rio que me sustenta, sem que dele tenha percepção.
É nele que nasço, cresço e morro.
Este rio nasce e morre no topo de montanhas e, ciclicamente, continua a levar-me de topo em topo, de morte em morte, de vida em vida.
Dele não tenho percepção pois não o vejo, a nada me cheira, não o sinto...
Nada me prova que ele exista.
Mas existe.
Cada viagem completa à volta deste rio significa a minha morte e o meu renascimento.
Mesmo que o visse eu não teria conta das vidas que ele de mim já viu.
O barco em que viajo não requer propulsão, mas aceita-a e, apesar de eu não o saber, por vezes iço a vela e remo.
Não conheço este rio, mas se o conhecesse provavelmente não seria capaz de o navegar, apesar de ele ser eu e eu ele.
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