CAMINHADOR
Olá, caminhador.
Tu, que pisaste a terra como poucos, conta-me, os poemas precisam de rimar?
Caminhaste para te aproximares das pessoas ou para te afastares delas?
Conta-me, que o tempo que me resta é infinito, mas vão.
Fala-me das marcas que deixaste e de quem as recebeu.
Fala-me também das que trouxeste e de quem as deu.
Diz-me se a saudade ganha cheiro ou se é insípida a solidão.
O que eu não dava para caminhar como tu, sem destino, ou objetivo, mas nunca em vão.
Senta-te um pouco comigo e conta-me, já tens coração?
Conta-me se viste tanto Poente como Nascente.
Diz-me se todos os versos rimam e se doem igual a toda a gente.
Descobriste se a vida é sempre uma merda, ou se, para outros, é diferente?
Quantos sons conheces? Encontraste dois iguais?
Com quantas cores te cruzaste? Quantas delas te iluminaram o caminho?
Serviram-te as felicidades nos tempos tristes?
Importunaram-te as tristezas nos tempos felizes?
Viste sorrisos sem lágrimas ou lágrimas sem sorrisos?
Conta-me tudo, que ainda temos tempo.
O que achas do sonho que faço de ti e quanto tempo achas que vai durar?
E se mais ninguém caminhar?
Irão os rios e mares secar, ou as flores definhar?
Será que os cheiros e os sons vão continuar?
Ou melhor, caminhador, não respondas, que eu próprio hei-de caminhar.
Quero ver com os meus olhos quantos versos casam sem rimar.
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