O QUE É ISTO A QUE CHAMO VIDA?
É, pelo que lhe chamamos, vida.
Mas o que é isto, não pelo que lhe chamamos, mas pelo que é?
Mas o que é isto, não pelo que lhe chamamos, mas pelo que é?
Uma coisa é o que é de acordo com o que se acha que é.
Como a chuva, que é hoje uma benção para mim, mas foi ontem uma chatice.
E não pode uma coisa ser duas?
Ou mais?
Uma coisa pode ser qualquer coisa, ou coisas.
Só não acho que possa uma coisa ser nada.
Uma coisa só poderia ser nada se ninguém dela soubesse.
E, nesse caso, a coisa não existiria.
É que, para existir, tem de ser algo para alguém.
Mas então e o tempo?
O amor?
A dor?
A sede?
Ou outros conceitos, ou ideias?
Ou o próprio conceito de ideia?
Não existiam antes de serem algo para alguém?
Não sente, uma pessoa, fome, mesmo que não conheça tal palavra?
Ah, mas aí é que está!
A pessoa não conhece a palavra, mas é afetada pelo efeito, sendo assim conhecedora do conceito.
A pessoa não conhece a palavra, mas é afetada pelo efeito, sendo assim conhecedora do conceito.
Portanto, o que é isto?
Isto a que chamo de vida?
É hoje o que foi ontem? Não.
Será amanhã o que é hoje? Duvido.
É uma questão de resposta orgânica, nunca estática, sempre diferente.
Sabendo disto, porque pus eu a questão?
Para que, na incapacidade de chegar a uma conclusão, exercite a minha capacidade de pensar.
E não será, neste momento, essa a minha vida?
Ó, porra...
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