CARTA DE UM PENSADOR EXCESSIVO COM DEMASIADA IMAGINAÇÃO

Olá.

Não quero dizer o teu nome para não alimentar mais a imaginação.
É que já me chega o peso do que penso de ti sem te conhecer. 

Conheço apenas os raios de luz que vão dançando entre o teu sorriso contagiante e o olhar doce com que tratas as pessoas à tua volta e só isso já tem sido suficiente para que por vezes fique parado no caminho a olhar para as nuvens e a sorrir no meio da tristeza de saber que a minha saúde mental me impede de me achar digno de explorar esta situação. 

Eu sei que até posso vir a não gostar de ti pelos teus gostos musicais, ideologias políticas e filosóficas, forma de falar, de comer, de sonhar... 
Mas ao mesmo tempo sinto-me preso durante horas a imaginar como seria mergulhar nos teus braços puros e confortantes durante os anos que me restam de alguma clareza mental para, pelo menos, tentar pôr em papel o quanto gosto de ti sem sequer saber bem o teu nome, ou ter coragem para declará-lo às estrelas que conto enquanto tento não pensar em ti. Imagino sem pensar, porque não tenho informação suficiente para racionalizar isto, o que não impede o meu querido cérebro de se recusar a comandar as minhas pernas para que continuem a andar, enquanto não pensa em todas as formas como te poderia, eventualmente, fazer sorrir. 

A personagem que criei de ti, sem te conhecer, é tão clara como a certeza que eu tenho de que é a minha falta de capacidade para bloquear estes pensamentos excessivos que me atacam à velocidade dos ventos de júpiter, que caso não saibas chegam a passar dos trinta mil kilómetros por hora, que me faz ficar bloqueado e deixar de ouvir as pessoas a meio de uma frase só porque comecei a imaginar que se eu te contasse aquela piada do fotógrafo tu ias sorrir com aquele sorriso que eu vejo ao longe e me dá vontade de pôr óculos de sol, porque ilumina qualquer escuridão.

Claro que nunca te vou mandar esta carta, porque isto é fruto de muitos anos de loucura e nem eu próprio consigo perceber, quanto mais atrever-me a tentar explicar o que significa. 

Fico-me por aqui, no meio destas palavras, que é capaz de ser melhor para os dois.

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